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Centro Latino-Americano de Inovação em Design

  • IEDentity
  • "Urban entrepreneurship ecosystem"
  • Número 05 - 9 de julho de 2018
Roberta de Freitas
  • Roberta de Freitas

No prédio histórico onde grandes estrelas, como Carmen Miranda, se apresentaram nos shows do Cassino da Urca (1933-1946), o IED Rio de Janeiro construirá o Centro Latino-Americano de Inovação em Design, com um conjunto de laboratórios, um centro cultural e uma escola especializada em design.

 

“O Centro de Inovação completará a restauração do conjunto arquitetônico histórico do Cassino da Urca, e voltaremos a ter um monumento à sustentabilidade e à criatividade, vivo e pulsante, à beira-mar". (Fabio Palma, IED Rio)

A essência do Istituto Europeo di Design é o projeto. Nossa linha condutora do “saber é saber fazer”, desde a inauguração em 1966, caracteriza a instituição como celeiro de inovação há 50 anos, proporcionando intercâmbio de culturas e conhecimentos.

Neste contexto, quando em 2006 a Prefeitura do Rio de Janeiro firmou uma parceria com o IED, concedendo o uso do complexo arquitetônico que reúne dois prédios, atravessados pela Avenida João Luís Alves, assumimos integralmente os custos de restauração e revitalização do prédio que beira a Praia da Urca, inaugurando oficialmente, em maio de 2014, o IED Rio.

Quando se fala da construção onde o IED se localiza, é impossível não pensarmos na história daquela que foi a obra arquitetônica mais importante da Urca e, durante algum tempo, o ponto de maior visibilidade da cultura brasileira para o mundo.

O edifício foi construído no início dos anos 1920 como hotel para receber os visitantes da Exposição Internacional do Centenário da Independência, realizada em setembro de 1922, no Rio de Janeiro. Foi uma exposição internacional importante, contando com expositores de 14 países de três continentes. O Brasil teve aproximadamente seis mil artistas que representaram todos os estados do país.

Em 1933, aproveitando a liberação do então presidente Getúlio Vargas para o funcionamento de jogos de azar, o Cassino da Urca foi inaugurado na estrutura do hotel-balneário. A casa reunia uma série de diversões para acompanhar a principal atividade, que eram os jogos. A época de ouro do Cassino ocorreu entre 1939 e 1941, quando Carmen Miranda se apresentava na casa, e despontou no cenário mundial como a “pequena notável”. Durante aqueles anos o cassino foi considerado por muitos uma das melhores e mais famosas  casas noturnas do mundo. Fechou em 1946, quando os jogos de azar foram novamente proibidos.

Na década de 1950, o prédio do Cassino da Urca voltou a ser ocupado, dessa vez pela televisão. O canal 6 da TV Tupi, de propriedade do grupo editorial paulista “Diários e Emissoras Associados”, transferiu seus estúdios do Centro do Rio para a Urca. Durante sua primeira década de existência, a TV Tupi foi líder absoluta e referência em modernidade e conteúdo. Ficou ali até fechar as portas em julho de 1980, quando foi tirada do ar por ordem do governo federal, que cassou a sua concessão.

Depois de toda a história que se passou neste incrível complexo arquitetônico, voltamos aos dias atuais e ao Istituto Europeo di Design. Em uma conversa que tivemos recentemente com o professor João Ricardo Moderno, presidente da Academia Nacional de Filosofia e também morador da Urca, ele aponta que o IED e o edifício foram “feitos um pro outro”. Esta afirmação se afina com o pensamento do IED e reforça que estamos no caminho certo, no encontro com a vanguarda artística e tecnológica, e com o pensamento inovador que estamos querendo propagar por meio do Centro Latino-Americano de Inovação em Design.

 

O desafio agora, nas palavras do diretor Fábio Palma é “finalizar o restauro e a revitalização do Cassino da Urca e implementar o Centro de Inovação em Design e Economia Criativa do IED, um centro de referência e excelência global em design, monumento contemporâneo, vivo e pulsante, dedicado ao design, à criatividade e à sustentabilidade.”

A base conceitual do Centro é, obviamente, o paradigma cultural e educacional do IED: saber + saber fazer + saber empreender. Essas práticas se baseiam em um código de princípios que inclui honestidade, respeito, profissionalismo e responsabilidade.

Nas obras de restauro e na gestão do edifício serão aplicados métodos de sustentabilidade e acessibilidade, como por exemplo: reciclagem e reuso da água da chuva, geração de energia solar e eólica, cobertura verde, e reuso e minimização dos resíduos na construção. Desta forma será reduzido ao máximo o impacto ambiental do Centro, que será o primeiro prédio tombado sustentável do Brasil quando obtiver a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

O Centro será, simultaneamente, um laboratório de inovação, um centro cultural e uma escola especializada em design. Será um espaço ideal para o desenvolvimento de atividades culturais, pesquisas e projetos, com laboratórios inovadores em ambiente colaborativo, constituindo-se em um hub de aceleração e integração de projetos e iniciativas. O Centro contará ainda com um auditório multifuncional e diversos espaços para exposições e atividades culturais com uma programação dinâmica e aberta ao público.

O design assumiu o valor e a função de uma disciplina social; o IED acredita que um centro que valorize o uso estratégico do design possa contribuir para incentivar, no Brasil e nos outros países da América Latina, mais inovação social e cidadã, mais empreendedorismo, mais integração, melhorias nos serviços e na produção industrial.

A essência do IED é o projeto e seu design.

Autor: Roberta de Freitas