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IED Florença – Entre a escola e o trabalho

  • IEDentity
  • "Urban entrepreneurship ecosystem"
  • Número 05 - 9 de julho de 2018
Dominique Barbieri
  • Dominique Barbieri

A articulação entre ensino e mundo profissional é uma das experiências didáticas concebidas pelo IED, em parceria com outras instituições, e tem como objetivo oferecer aos alunos oportunidades para enriquecerem as suas formações. O IED Florença pensou na possibilidade de articular caminhos, mesclando a educação e a inserção no mundo do trabalho, financiados por empresas ou por fundações, procurando sempre um diálogo com as instituições. Cada programa reflete a abordagem IED atravessando as quatro áreas didáticas, mobilizando empresas e convidando alunos a trabalharem a partir de um briefing e de projetos reais.

O estudante que participar de um dos projetos de articulação escola-trabalho não é ainda um trabalhador: ele adquire competências coerentes – e às vezes não tão coerentes assim – com o seu percurso de estudo escolhido, dentro de realidades operacionais que estimulam a sua criatividade. Na sede florentina, projetos sob medida, projetos financiados por fundações, e até mesmo percursos didáticos já desenvolvidos na sede, foram reconhecidos como rotas alternativas e, portanto, se transformaram em momentos de orientação funcional para a promoção do IED.

Em 2018, a sede do IED Florença tem como meta estruturar ainda mais projetos financiados, procurando um diálogo constante com as instituições do território. Um dos projetos deste ano é Non isolare il design (Não isole o design), direcionado especificamente a futuros estudantes e habitantes da Ilha de Elba. O objetivo é estimular a mobilidade entre esses alunos, para fora do isolamento da ilha, que não oferece possibilidade de formação depois da conclusão do ensino médio.

No cenário da sede do hostel de Sassi Turchini (acessível de Porto Azzurro, na ilha de Elba), esse processo didático e formativo de articulação foi proposto tendo como foco o design, a moda e a comunicação. De fato, trata-se de um laboratório em residência, com o objetivo de oferecer aos mais de 270 estudantes, vindos de escolas e institutos técnicos de Elba, um exercício prático sobre a “cultura do projeto”. Foram realizadas experiências criativas em design de mobiliário, design de hospedagem, design de jogos e design gráfico, que culminaram na organização de um evento de encerramento.

 

“Através da articulação escola-trabalho IED na Ilha de Elba foi desenvolvido um projeto único e inédito em seu meio, e que permitiu acompanhar a escola fora das salas de aula, incentivando o contato direto com o território. Nesta experiência, foi decidido deliberadamente deixar de lado os títulos acadêmicos, em favor de uma livre aplicação às várias áreas de laboratório oferecidas. Formaram-se assim grupos de trabalho mistos e heterogêneos com espaço para todos, onde era possível compartilhar os próprios conhecimentos e abordagens.

“Cabeças, mãos e curiosidade foram os únicos instrumentos utilizados. A experiência se deu de forma aberta e criativa, sem restrições, incentivando os estudantes a observarem a realidade e a reelaborarem aquilo que os circunda. Foram empregados somente materiais reutilizados, e os participantes também não podiam contar com o auxílio de instrumentos digitais: cada produto foi concebido como algo funcional e ajustado à vida de uma estrutura acolhedora, voltada à comunidade.

“O resultado foi surpreendente por conta da mobilização das escolas da Ilha de Elba e, principalmente, pela participação ativa dos alunos. Eles trouxeram muito interesse, disciplina e dedicação, ficando por vezes para além do horário pré-estabelecido. Marcante foi também como, nos trabalhos concluídos, as suas capacidades criativas e manuais sobressaíram”, explica Matteo Fioravanti docente do IED Florença e arquiteto integrante do Studio Qart.

 

Outros projetos que se desenvolveram este ano foram os seguintes:

L’Osservatorio anticontraffazione (O observatório antifalsificação), um projeto da Câmara de Comércio que mobiliza 200 estudantes. O observatório antifalsificação é um órgão da Câmara, cujo intuito é sensibilizar a opinião pública sobre o tópico da falsificação. Por vários anos, o observatório vem envolvendo as escolas em um projeto conjunto para tornar os alunos cientes dos danos envolvidos em comprar produtos falsos ao invés de apoiar a qualidade e a originalidade do “Made in Italy”.

Giardino delle imprese, um projeto financiado que envolve 60 estudantes. Concebido pela Fondazione Golinelli di Bologna e promovido pela Fondazione Ente Cassa di Risparmio (com o patrocínio da Cidade de Florença e da Regão Toscana), 60 estudantes vindos de escolas de Florença e de seus arredores aderiram ao projeto, inscrevendo-se e participando de várias entrevistas. O processo é composto por quatro fases, desde a introdução da cultura empreendedora e o desenvolvimento de um projeto para a candidatura ao financiamento, até o financiamento real dos projetos selecionados, com uma última fase de aceleração para a as ideias escolhidas. Parceiros científicos são a Fondazione Palazzo Strozzi, o Schermo dell’Arte, Emilio Cavallini, Mazzanti Piume, The Student Hotel, Controradio, e a Cidade de Fiesole.

100X100, um projeto que mobiliza 100 estudantes. Um projeto transversal de moda, design e design gráfico, que questiona o conceito de ilusão como efeito visual, sensorial, perceptivo e artístico. Os quatro percursos de articulação escola-trabalho (cada qual com 100 horas) culminaram em dois grandes eventos públicos, e que serão organizados por 100 alunos levando em conta o conteúdo, a estética, e também envolvendo as áreas organizacionais e comunicativas. O projeto é realizado em colaboração com várias empresas, como O Bag, VLT’S by Valentina’s, OttoTredici, Memar, Mazzanti Piume, Kidstudio, Craafts.

Autora: Dominique Barbieri