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Imaginar o futuro transformando as regras

  • IEDentity
  • "Urban entrepreneurship ecosystem"
  • Número 05 - 9 de julho de 2018
Filippo Nardozza
  • Filippo Nardozza

O Envisioning Forum completou três anos e teve a sua terceira edição no último dia 16 de maio. Seu objetivo é estabelecer um compromisso verdadeiro do IED com o futuro. Um futuro imaginado, observado e projetado a partir da ideia de regras e de suas subversões. Trata-se de uma oportunidade para acolher e projetar, para não se deixar ir com a mudança e sim gerá-la, ser ativo, assim como a primeira peça do dominó que cai e movimenta as peças vizinhas.

 

Este ano, o Envisioning Forum abordou o tema “Imaginar o futuro transformando as regras”, tendo como foco a exceção. Foi na Sala Polene do Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia Leonardo da Vinci que o fórum tomou lugar: havia ali quatro intervenções de altíssimo nível, ainda que bastante diversas, curadas por Elena Sacco, diretora da Escola de Comunicação do IED Milão.

Transgressoras, as cinco “não-regras” que caracterizam desde sempre a essência do Istituto Europeo di Design e geram transformações na abordagem formativa são:

  • Profissionais ao invés de professores
  • Aprendizagem pela prática
  • Conteúdo não só receptáculo
  • Estímulo ao invés de respostas
  • Transgressão de limites e gêneros

Uma abordagem de rompimento com os cânones, que confere a oportunidade de se decidir quem ser e o que se tornar. Trata-se de uma escola-incubadora na qual é possível desenvolver o próprio talento seguindo o lema Find your difference.

 

A contribuição de Evelyn Mora, jovem empreendedora finlandesa, fundadora da Helsinki Fashion Week, evento que promove a sustentabilidade, se colocou sob o signo do imaginário. Seu ponto de partida foi a dependência social aos estereótipos e regras imaginárias. Evelyn se perguntou o que seriam estas regras de fato, e as desafiou. Elas têm fundamentos científicos? Por que devemos nos livrar de tais regras e abraçar a nossa individualidade, visualizar a nós mesmos no nosso presente e no futuro?

O foco da intervenção do designer Federico “Chicco” Ferretti (docente do IED Milão, Founder & Head of Design Innovation Center do Midea Group) foi o conceito de humanidade. “Uma característica típica humana é não desistir na primeira dificuldade, mas procurar soluções. E os designers sabem bem disso. Os seres humanos não são perfeitos, mas podem ser aperfeiçoados. O design deve trabalhar nas suas imperfeições, com o ser humano real, o verdadeiro”. Para isto, é necessário “transformar as regras e dar um passo para trás, voltar àquilo que nos torna humanos, protegendo e projetando a partir disso: o design é um engineering reverso da humanidade”. De fato, “ainda que a inovação moderna continue a declarar a sua fidelidade ao ser humano, em realidade não faz senão oscilar de maneira esquizofrênica entre ignorá-lo e procurar reinventá-lo”. Assim, “transformar não deixa de ser redescobrir as regras, os nossos princípios, a nossa cultura, a nossa humanidade”.

“Transformar as regras é encarar o limite da experiência e sentir a emoção de um horizonte que se dilata, junto àquilo que pode se tornar possível. Pensar de outra forma nos aproxima do futuro, mas a questão é a possibilidade de confiarmos em nós. Em 1915, ninguém teria pensado no universo em expansão”. Esta é a visão da astrofísica Ersilia Vaudo Scarpetta, Chief Diversity Officer da Agenzia Spaziale Europea, cuja sugestão permanece no reino do impossível. Algo que “não se realiza com uma mudança de regras, mas com a impertinência de decompor aquilo que é conhecido, para alargar o perímetro de um ponto de vista. Abandonar o determinismo da experiência – aquela margem que limita a imaginação e a restringe a trajetórias conhecidas – torna o impossível real. Assim, cada aventura ganha um sentido: observar Marte se pondo no horizonte e respirar um segundo do infinito”.

 

“Para pensar na mudança, tive de imaginar abalar o paradigma, pensar em usar canais destinados a outros objetivos”. Andrea Ghizzoni, diretor europeu do WeChat, chama atenção ao conceito de challenge, partindo primeiramente de nós, para sermos ativos na mudança, junto a tudo aquilo que consideramos imutável e fixo.  Ele sublinha que quando nos damos conta de que na verdade ninguém nos impôs as regras, tudo muda. “Imagina um mundo no qual tudo está em um smartphone, em que a internet não servisse como comunicação, mas guardasse todos os momentos da vida de um indivíduo. Tudo, tudo mesmo, vem digitalizado. Quais oportunidades surgem? Quais implicações sociais e de business? A resposta não está nas diferenças com as quais nos deparamos, mas nos preconceitos dos quais devemos nos livrar para começarmos a entender.”

Autor: Filippo Nardozza