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O IED e as empresas. Uma combinação perfeita!

  • IEDentity
  • "Urban entrepreneurship ecosystem"
  • Número 05 - 9 de julho de 2018
Alessandro Colombo
  • Alessandro Colombo

A sintonia entre o IED e o mundo empresarial deu vida, neste ano, a colaborações valiosas. Através de iniciativas como a Special Week e dos diversos projetos promovidos em conjunto com marcas importantes, criamos oportunidades de encontro únicas para os nossos estudantes, nas quais eles puderam desenvolver e propor ideias a pequenas e grandes empresas.

1 Sugestões de método

Em um mundo ideal, seria natural que uma escola de design fosse parceira de um grande número de empresas, que pudessem formar com um grupo de jovens designers um verdadeiro hub de pesquisa e desenvolvimento.

No mundo real, essa interação é reproduzida artificialmente e leva a resultados valiosos e eficazes em alguns casos.

O IED põe como foco de seu próprio modelo didático a presença de empresas no interior de seu processo formativo; orgulha-se da sua capacidade de incluir nos processos didáticos uma parcela grande e consistente de design prático junto com empresas e com instituições da área de design e também de outros setores.

Com quais tipos de empresas colaboramos regularmente? Não é fácil delimitar um perfil em um parágrafo. Na Itália, principalmente, tende-se a colaborar com pequenos e médios negócios familiares, que operam nos setores das indústrias criativas ou de serviços.

O IED e a sua comunidade, integrada por estudantes, ex-estudantes e docentes, formam um núcleo natural de pesquisa e de desenvolvimento de ideias e de projetos: a inserção cotidiana do design nas salas de aula leva ao desenvolvimento de conteúdos originais em um ritmo acelerado. Quando se tem um landing project, tendo ainda a presença de um briefing e um apoio empresarial, os esforços mobilizados para o projeto não ficam em vão, mas encontram um endereço certo.

2 Qual é o melhor método para trabalhar com as empresas?

Não existe uma receita! Cada relação, cada projeto é tailor-made, compreendemos as necessidades de cada empresa, entendemos com quem estamos trabalhando no interior dela, levamos em conta em qual contexto histórico nos encontramos e, principalmente, estudamos a atitude e o modo com o qual as propostas são recebidas.

O momento mais importante é depois do primeiro encontro, etapa em que a empresa explica as suas exigências e o IED relata o modo com o qual “faz design”. Para dar início à colaboração, o representante da empresa deve ser capaz de comunicar aos seus stakeholders as vantagens de um projeto com uma escola de design.

Os argumentos a nosso favor são muitos, mas, sem dúvida, o mais significativo é a “dose de criatividade” que os jovens profissionais são capazes de expressar, rompendo com as regras e trazendo um olhar novo e sincero às empresas, que, em muitos casos, já estão consolidadas. Além disso, a presença de estudantes estrangeiros, principalmente aqueles que provêm de outras realidades culturais (China, Índia, Estados Unidos) ou países em desenvolvimento (Indonésia, Vietnã, ou na África) seria vantajosa para as empresas que trabalham em mercados internacionais. Outro fator relevante é o envolvimento das empresas nos talent recruiting: no trabalho com grupos de estudantes surge a possibilidade de observar os jovens com as mãos na massa e de poder selecionar, para futuras colaborações, os perfis mais adequados.

3 O que o IED pode fazer pelas empresas?

O IED não é como um estúdio gráfico ou uma empresa de design. Portanto, a diversidade dos profissionais (em muitos casos, os nossos docentes) não deve se colocar como fator neste mercado. A tipologia dos projetos que o IED é capaz de propor é ligada à pesquisa, àquela fase anterior ao design, na qual a análise e a investigação são o foco, junto com a combinação dos elementos de base do projeto, que depois será confiado a um profissional. Esta fase é de importância vital para a estruturação, a consistência e a eficácia de um projeto, para preparar o terreno para a execução material e a entrega ao cliente. Não é fácil comunicar às empresas a particularidade do trabalho com uma escola de design e talvez seja este o limite mais importante que devemos ultrapassar.

4 IED Florença, um ecossistema em torno do design

Trago Florença como exemplo de representação do DNA do IED:

Graças ao trabalho de nossa equipe (Martina Lazzerini e Nicola Benedettini), criamos e alimentamos uma rede com mais de 300 empresas com as quais mantemos relações profícuas e contínuas.

O primeiro objetivo é criar as condições para que as empresas da região possam conhecer as competências dos nossos estudantes e perceber estes jovens talentos como “produtos de alto valor”. O placement é a verdadeira prova do nosso sucesso: a conclusão de um percurso de estudos deve ser coroada com o estabelecimento de relações de trabalho. A promessa que fazemos aos nossos estudantes é de dar todas as condições e instrumentos necessários para que eles estejam prontos a exercitar a profissão e a empreender um caminho profissional, seja dentro de uma empresa já existente ou como empreendedor autônomo.

Para criar estas condições é fundamental construir uma relação de credibilidade com o mundo empresarial e comunicar, com consistência e de forma pontual, as nossas atividades e as oportunidades que oferecemos. As interações entre o mundo empresarial e a escola devem ser constantes e se dar através de encontros, projetos em comum, conferências, palestras e eventos: todo o staff tem como prioridade estimular e implementar estas relações. Sem dúvida, também é prioridade dos nossos docentes ajudar a construir, através de suas redes já existentes, esta network IED e alimentá-la constantemente.

O IED deve ser capaz de analisar as tendências do mercado de trabalho e prevê-las, atualizando constantemente seus programas. A nossa capacidade de fornecer profissionais capazes de “inovar” e preencher as lacunas de competências presentes nos setores em que operamos às empresas é extremamente relevante.

5 O formato

Como já dito, as relações entre empresas e o IED sempre tiveram um caminho natural próprio, mas, para incentivar o diálogo, criamos um formato que nos ajuda a incluir essas relações nos percursos didáticos. Sem dúvida, os trabalhos de conclusão dos cursos trienais ou de mestrado representam o ápice do nosso design e compõem os momentos de mais alta visibilidade da nossa potência de design.

Tivemos a honra e a oportunidade de trabalhar com grandes e importantes empresas, como Adidas (em um projeto de retail innovation), Tiger (para o retail), Unicoop (“o supermercado do futuro”), Ducati (em um retail outdoor), as Gallerie degli Uffizi (na divulgação para um novo público), Airbnb (nas periferias de Florença), Tod’s, Furla etc. Os resultados foram muito elogiados e, para os estudantes de 22 e 23 anos, a oportunidade de poder apresentar suas próprias ideias de design para as esferas mais altas do management de empresas desse porte foi, sem dúvida, única.

Há nove anos organizamos – duas ou três vezes cada ano – a Special Week, semana de design prático que interrompe momentaneamente o planejamento didático e reúne os estudantes em grupos de trabalho. Partindo de um briefing recebido na manhã da segunda-feira, os grupos devem apresentar um projeto às empresas participantes na sexta-feira da mesma semana. O objetivo didático é incentivar o team building, a transversalidade projetual, o respeito mútuo e a organização do tempo. Para empresas, trata-se de uma oportunidade única de ter uma equipe dedicada (com integrantes de, em média, 25 a 30 anos) que podem desenvolver ou implementar projetos, para criar um momento de encontro muito proveitoso. Colaboramos com mais de cem empresas, desde instituições públicas locais a grandes multinacionais, passando por pequenos negócios artesanais e pelo próprio IED, que também já foi cliente de alguns projetos.

Outro momento importante não só para a sede IED de Florença, mas para todo o grupo, é a feira de moda masculina  Pitti Uomo. Durante cada edição (em janeiro e em junho de cada ano) organizamos, em conjunto com empresas do mundo da moda e de outros setores, laboratórios abertos aos melhores estudantes de todas as sedes. No ano passado, na edição de verão da Pitti, tivemos a honra de contar com a colaboração da coreógrafa inglesa Lindsay Kemp, com a qual construímos os figurinos e criamos uma performance, Kemp’s Dream, em que estiveram em cena, além dos bailarinos da companhia de Kemp, os estudantes do IED que pensaram os figurinos.

No dia 12 de junho, apresentamos a primeira coleção coletiva do IED, pensada pelos melhores estudantes de todas as sedes do grupo sob orientação de Tiziano Guardini: trata-se de uma coleção completamente sustentável, intitulada EcoEgo. Para a realização desta coleção, contamos com a colaboração de empresas que produzem tecidos ecológicos e sustentáveis. Fruto desta parceria são as dez peças que estarão à mostra no Palazzo Davanzati, em Florença.

6 What’s next?

O próximo passo do IED é criar as condições para que os seus estudantes possam converter suas próprias competências criativas em projetos empresariais. Muitos dos nossos jovens talentos tornam-se empreendedores e, graças à comunidade IED, é possível preparar um terreno fértil que acelere e sirva como incubadora a estas ideias antes de levá-las ao mercado.

O primeiro passo é incluir nos nossos cursos módulos de “empreendedorismo” para ensinar o que quer dizer construir um negócio. Em seguida, caberá ao IED fazer o scouting: selecionar os melhores projetos e criar as condições, junto com a sua comunidade e os parceiros externos (fundos de investimento, espaços de coworking e de aceleração), para que estas empresas possam atingir seu máximo potencial.

Cantera é uma proposta-projeto de economia circular que torna o IED partner empresarial de seus próprios estudantes. Dos lucros desta atividade pode-se alimentar o recruiting de jovens talentos com bolsas de estudo, outros incentivos e também a seleção de empreendedores aprendizes.

Seria ótimo se os leitores da IEDentity pudessem contribuir ao desenvolvimento deste projeto. Por favor, entrem em contato comigo! Espero vocês!

Autor: Alessandro Colombo

7 Alessandro Colombo

Graduado em economia e com mestrado em arts management, Alessandro Colombo começou sua carreira no setor da produção teatral e cênica.

Em 2008, começou a sua aventura com o IED em Florença, onde atua agora como diretor. Alessandro foi convidado a vários keynote presentation com o tema de formação da pesquisa.

O IED é uma parte consistente da rede de sua região, colaborando com empresas e instituições locais e internacionais.