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New design ways

  • IEDentity
  • "Design (r)evolution"
  • Número 09 - 6 de março de 2019
Carla Serra
  • Carla Serra

Gianfranco Setzu e Monica Casu são dois designers independentes que trabalham em Milão e na Sardenha, desenvolvendo uma coleção conjunta de objetos de produção própria em série limitada, com um misto de técnicas artesanais e de tecnologias digitais contemporâneas. Desde 2015, são professores do curso de três anos de Design de Moda do IED Cagliari.

Pedimos a eles que contassem um pouco sobre o caminho que o design contemporâneo está trilhando agora e como a sua atividade de designer autônomo se insere nesse contexto.

Que caminho está trilhando o design contemporâneo?

Em um sistema cada vez mais facetado e com multitasking, nos questionamos continuamente sobre as novas possibilidades e dimensões com as quais nos deparamos e com que procuramos construir um diálogo.

GS e MC - Uma perspectiva interessante foi proposta pelo duo artístico Masbedo (Nicolò Massazza e Iacopo Bedogni), que, na última Bienal Manifesta de Palermo, afirmou: “Se a arte não é feroz, é design”. Essa afirmação acaba por incluir muitas expressões artísticas contemporâneas no mundo do design, além de mesclar parte do design ao mundo da arte. Essa hipótese, no entanto, exalta também a inutilidade da fronteira cinzenta entre as duas disciplinas, que se reúnem nas galerias de design, expressão que parece contraditória, mas que vem ganhando cada vez mais espaço e relevância. Muitos designers produzem arte e muitos artistas produzem design (como, por exemplo, Olafur Eliasson). Deparamo-nos com objetos sempre mais conceituais e sempre menos funcionais, ou melhor, o mero pragmatismo é absorvido pelas marcas globais enquanto o design de pesquisa e experimental – com custos inacessíveis e edições limitadas – se esconde nas galerias de design.

Durante as várias semanas de design pudemos admirar o novo design establishment sempre mais relacionado à expressão artística e cada vez mais autoral. A afirmação de Jasper Morrison, que alega que (certamente) o design é feito por uma boa assessoria de imprensa, está cada vez mais atual e profética: muitos dos produtos que vemos nos jornais e nas revistas não conseguimos encontrar concretamente no mercado. Existe, portanto, uma desconexão entre o design representado e o que é de fato usado, o que deixa um vazio ensurdecedor em que se opõem aparência e materialidade.

Em parte, essa lacuna é ocupada por produções independentes que podem ser adquiridas e vividas, retratando um estilo de vida novo e pesquisado, e que enchem as nossas casas. São objetos de produção própria, reais, concretos, de pesquisa e possíveis, que transmitem a cultura do know how indispensável à sua produção e qualidade.

O novo setor independente e autoproduzido do design existe longe das galerias de design e, sem dúvida, não tem recursos para investir em assessoria de imprensa e em publicidade em revistas reconhecidas do mundo do design. Trata-se, no entanto, de um setor próximo ao consumidor culto que não se contenta com um padrão aproximado.

Por essa razão, fizemos a nossa escolha de sermos designers independentes, para podermos produzir concretamente e nos inserir de modo ativo em um panorama do design, que procura cada vez menos o diálogo com o novo e cada vez mais a vitrine do design de glamour sobre o qual se fala tanto, mas que tem pouco a dizer!

Nos nossos projetos e na pesquisa que levamos adiante há sempre uma profunda atenção aos processos e aos detalhes de produção, que exigem cuidado e dedicação. Procuramos passar este saber aos nossos alunos e transmitir a ideia de um designer que produz, além da pesquisa autoral, qualidade e autenticidade

Acreditamos que as fronteiras têm que ser transgredidas para que o novo design tenha cada vez mais qualidade e cultura, e seja cada vez menos vazio. Como dizia Achille Castiglioni: “se você não é curioso, pode tirar o cavalinho da chuva!”.

Gianfranco Setzu & Monica Casu

Autora: Carla Serra