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  • "Design (r)evolution"
  • Número 09 - 6 de março de 2019
Rosa Moreno Laorga
  • Rosa Moreno Laorga

É difícil definir com precisão hoje qual é ou deve ser a função do designer em nossa sociedade, devido à complexidade desta atividade e às contínuas transformações que a atravessam.  Esta é uma questão crucial sobre a qual devemos refletir e, neste número, pedimos ajuda aos nossos ex-alunos, que compartilharam suas experiências do mercado profissional da criatividade.

Jaime Álvarez

Atualmente as especialidades dentro do design são muitas e variadas. Paralelamente ao desenvolvimento tecnológico, vão surgindo novas vertentes e ramos de atuação da disciplina. Mas existe algo de que todas elas compartilham, que é a intenção de melhorar o mundo a nossa volta e a forma que o habitamos.

Do software ao blazer, do vaso a uma estratégia de design relacional, a transversalidade é inerente à finalidade última do design: chegar a alternativas que sejam enriquecedoras para o contexto em que estamos inseridos, a partir de um olhar criativo.

Mayra Sasso, designer especializada em desenvolvimento digital e UX, fala com precisão desta inegável transversalidade: “O designer é o grande tradutor e arquiteto entre todas as disciplinas. É quem entende das necessidades do usuário, do negócio e inovação e as transforma em soluções elegantes. Muito do trabalho do designer é conectar (…) Ele liga todas as áreas e ele pode ser de todas as áreas”.

Por sua vez, o testemunho de Federigo Gabellieri, diretor de arte e profissional criativo especializado em design editorial, reforça esta vocação multidisciplinar: “Os designers têm talvez mais responsabilidade agora do que no passado, vivemos um período de amplo sincretismo entre as várias artes, disciplinas e áreas do mercado (…). Se antes o trabalho estava concentrado em uma disciplina, hoje é impensável não conhecer as demais. Portanto, o criador deve estar capacitado para atuar como uma ponte entre estes fluxos, geri-los e combinar várias referências culturais, criando algo novo”.

Barbara Caranza

Fernanda Carminate

Apesar da inegável tendência à multidisciplinaridade e transversalidade, há algumas disciplinas que se prestam menos a esta contínua contaminação. Barbara Caranza, em seu papel de restauradora e designer, comenta que “o restaurador continua ainda hoje sendo uma figura que interage muito pouco com outros profissionais da área do patrimônio cultural”.  

Por sua vez, o designer de moda Jaime Álvarez também valoriza essa conexão, mas adverte sobre o aspecto econômico: “Hoje, mais do que nunca, o designer deve estar em contato direto com o que acontece ao seu redor, assim como tomar decisões estratégicas ou empresariais. Não obstante, um designer sempre será de um ramo criativo específico e deve focar nessa área, contando com um gestor para avaliar decisões econômicas”.  

Italo Marseglia, também designer de moda, compartilha dessa perspectiva de maneira clara: “Acredito que hoje não se pode mais ser só um profissional criativo. É necessário saber relacionar-se e afinar a própria criatividade de acordo com as contribuições que nos trazem as áreas de business estreitamente conectadas à nossa: vendas, marketing e comunicação. É o trabalho em equipe e a sincronia que determinam o sucesso de um profissional criativo. Quando se consegue relacionar as necessidades do mercado com público-alvo, entre outros, se começa a projetar como um verdadeiro designer!”

Também designer de moda, Clara Guerrini fala, assim como Jaime, do aspecto estratégico no exercício do design: “Para um designer é essencial levar em consideração cada área que esteja envolvida no processo de realização e venda de um projeto ou produto. No planejamento, é necessário acompanhar algumas pautas relacionadas com os aspectos práticos e de venda. A boa comunicação entre as partes e a melhora da linha de montagem, e as sinergias que se criam entre os diversos departamentos e setores inevitavelmente refletem o êxito de um caminho que não é apenas criativo”. Seu colega de profissão, Italo, assegura: “Nós, designers, precisamos cada vez mais ter uma conexão estreita e prática com o mundo do marketing”.

Niccolò Bonanni

Por outro lado, o design relacional é uma faceta abordada por Niccolò Bonanni, designer especializado em mobilidade, definindo o designer de hoje da seguinte forma: “É quem pode entender, em qualquer situação, quais são as necessidades das pessoas para poder traduzi-las e formular um plano efetivo de ação. Tudo gira em torno da troca e da interação entre indivíduos. Se pensarmos dessa forma, somos todos um pouco designers na vida cotidiana”.

Stef Silva, especialista em design estratégico e design de futuros, tem para si muito claro o papel que o design deve desempenhar hoje e que se desenvolve no âmbito corporativo: “Na minha opinião, a colaboração é a chave de tudo. Quanto maior for o número de pessoas com quem trabalhamos, quanto mais cuidarmos delas e quanto mais melhorarmos o nosso entorno profissional, tudo sairá muito melhor. E entre todos os profissionais, a pessoa que fala a partir do campo do design e da criatividade tem em suas mãos todas as ferramentas para orquestrar e canalizar essa força de mudança. Penso também que a principal função de um designer é ser o vínculo entre a sociedade (através de sua empatia) e um mundo melhor (através de um design ético e sustentável)”.

Por outro lado, Fernanda Carminate, arquiteta e designer de interiores, destaca a percepção do papel do designer hoje: “Na minha opinião, os arquitetos e criadores sempre foram cercados por uma aura de artista, quase que um ser inalcançável, e realmente alguns deles se comportavam dessa forma. Atualmente eu vejo uma certa mudança nesse paradigma, com as pessoas que lidam com criação entendendo que o seu trabalho pode ser uma ferramenta de transformação em diversas esferas, e que esta função é muito mais importante do que fazer um trabalho puramente pela estética ou retorno financeiro. Aliada a isso, a facilidade de exposição do nosso trabalho ao grande público a partir das mídias e redes sociais têm facilitado a difusão do trabalho do arquiteto de uma forma direta e acessível”.

Federigo Gabellieri

A realidade tem muitas facetas mais, e é Matteo Guarnaccia, designer especializado em fabricação digital, quem nos chama a atenção sobre a problemática que pode representar a produção em um mundo global, e sobre o papel que o designer ocupa neste contexto: “O design é uma extensão direta da vida cotidiana, de qualquer forma possível, política, econômica… Se identificamos um designer como um solucionador de problemas, não podemos seguir tendências. A globalização é um problema cultural real e vejo o designer como um dos principais responsáveis por preservar as especificidades culturais nas produções e experiências, dando a importância adequada às fontes locais em uma produção global”.  

Os designers como solucionadores e criadores de vínculos, construtores de novas realidades em constante transformação. Graças à visão dos protagonistas de nosso número, podemos ver que o papel atual do profissional de design é flexível e polivalente. O grande desafio é a adaptação à mudança. Venha vivê-la através do design!  

Autora: Rosa Moreno Laorga

Foto de capa: Sandra Rueda, Lara Docampo

 

Jaime Álvarez

 

IED Rio

PKB Arquitetura

Fernanda Carminate

 

IED Turim

Fiat

Nicolò Bonanni

 

IED Florença

federigogabellieri.com

Federigo Gabellieri

 

IED Como

Mecsrl

Barbara Caranza