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E-learning: como aprender em qualquer lugar

  • IEDentity
  • "Nomadismos"
  • Número 11 - 1 de julho de 2019
Carlos Brenes Márquez
  • Carlos Brenes Márquez

Paul Valéry sonhava com “a conquista da ubiquidade”, imaginando uma sociedade na qual qualquer manifestação artística pudesse ser vista e apreciada em qualquer parte do mundo. A internet tornou isso possível e é uma realidade que afeta a todos os setores da vida.  

Sem dúvida, para uma sociedade nômade, onde todos nós nos movemos continuamente, é fundamental dispor de uma formação contínua onde quer que estivermos. Com esse objetivo, foi criado o departamento de E-learning do IED Madri, em 2011.

No IED sabemos que a formação não pode ficar ancorada em ferramentas e paradigmas de outros tempos. E é por isso que criamos uma proposta de formação atualizada, flexível e acessível, com conteúdo próprio de grande qualidade. Uma realidade educativa mediada por um entorno online de tecnologia integrada, um ecossistema que habilita o sentido mais prático da aprendizagem e que se adapta à nossa cultura de projeto.

Com essa filosofia surgiu o e-learning, em um primeiro momento como apoio às provas de ingresso, servindo aos muitos estudantes em potencial, em mais de 30 países, e logo depois se transformou em uma ferramenta fundamental para completar a formação offline. Cresceu desde então para se converter em uma realidade para todo o Grupo IED, tanto na modalidade 100% online como blended. Atualmente, forma 21.800 alunos distribuídos em 5.700 espaços online, contando com um total de 116.668 horas online.

Ainda assim, seu aporte vai aparecendo em vários setores da organização do IED, abarcando desde uma melhor capitalização do conhecimento a uma experiência didática diferenciada, passando também pela melhoria na gestão de muitos serviços que as secretarias didáticas devem realizar cotidianamente, uma vez que algumas tarefas são automatizadas e podem ser acessadas a qualquer momento e em qualquer lugar por alunos, professores e equipe IED.

Todos estes dados permitem entender o volume e a importância que adquiriu este departamento, entretanto, o aspecto mais excepcional é o aporte de novas metodologias que permitem um outro tipo de enfoque dos conteúdos e sua adaptação a perfis de estudantes muito diversos, algo fundamental em uma instituição como o IED, com alunos que vêm de mais de 50 países.

De fato, se algo caracterizou o IED, trazendo um valor diferenciado à formação oferecida pela escola, é a sua capacidade de gerar experiências didáticas ricas, com atores e situações reais, sempre conectadas ao mundo profissional através de uma metodologia de projeto.

A metodologia online não apenas adapta às práticas presenciais mais consolidadas no IED, mas deve acrescê-la de valores e possibilidades. Podemos nos fazer três perguntas para definir a estrutura básica de um curso 100% online: o que fazemos, onde e como? Destas três perguntas obtemos três âmbitos de ação: os conteúdos, a interação e o ecossistema.  

Conteúdos. Podem ser estáticos e dinâmicos. O objetivo de estabelecer dois formatos permite prover o estudante de duas atividades discursivas diferentes, aproveitando as capacidades das diferentes linguagens para aprofundar determinados aspectos e complementar a informação. Em relação ao aspecto motivacional, o emprego do conteúdo multimídia e/ou interativo, distribuído convenientemente na sequência temporal de um curso, pode ajudar a tornar mais atrativa e intuitiva a aprendizagem, além de favorecer uma maior ação e participação. Ao mesmo tempo, isso vai nos permitir medir e conhecer melhor o progresso dos estudantes em sua compreensão e assimilação dos conteúdos. Para isso, os conteúdos se orientam a uma maior interação, permitindo intercalar problemas e conectá-los às ferramentas de continuidade. Por último, caberia mencionar uma terceira via de materiais, que seriam os conteúdos específicos, um tipo de conteúdo ad hoc, que pode até mesmo ser físico e que, além de ter uma intenção didática afinada, pode resultar em um incentivo para a motivação pelo grau de exclusividade, e porque acentua o aspecto do cuidado na criação do produto.

Interação. Apostamos em uma proposta didática onde o foco está naquilo que se aprende e não tanto naquilo que se ensina, onde o fio condutor está nas atividades nas quais os estudantes criam, na interação e na comunicação, em tudo o que acontece, e não tanto no conteúdo (ainda que, como assinalamos, este aspecto também é levado em consideração). Nesse sentido, os papéis desempenham um aspecto muito importante, pois através deles podemos modelar as relações, as interações e a experiência didática, dotando o estudante de uma maior responsabilidade, desenvolvendo um papel mais ativo em sua aprendizagem e relevante em um contexto de grupo. E isso nos permite estabelecer algumas relações mais horizontais entre os papéis visíveis da experiência didática, ampliando os horizontes em direção a um modelo de comunidade e de aprendizagem.  

A interação está dotada de diferentes canais dependendo da sua finalidade. Esses canais podem ser sincronizados ou em tempo real, para ministrar aulas, tutoriais etc; ou dessincronizados, como um fórum, um chat, uma mensagem privada. Os canais de interação se vêem modelados pelos diferentes usos; por exemplo, um fórum pode servir para organizar, para realizar consultas, para quebrar o gelo, para debater, para compartilhar uma pesquisa, para compartilhar projetos, para construir conhecimento, para valorizar etc.

Ecossistema. Gerar um ecossistema para uma aprendizagem rica e heterogênea não consiste apenas em oferecer ao estudante ferramentas para acessar uma aprendizagem contínua em qualquer lugar, habilitando metodologias variadas e favorecendo diferentes estilos de aprendizagem. Além disso, deve-se oferecer ao aluno uma identidade digital, fomentando o desenvolvimento das competências digitais enquanto torna possível incrementar o seu currículo através da ativação de um portfólio digital como parte do seu projeto e mais além da temporalidade do curso. A disposição de um ecossistema que vai além do contexto do próprio curso, capaz de responder em qualquer suporte, habilita a formação integral do indivíduo, uma vez que oferece ao aluno processos, hábitos e ferramentas que o acompanharão por toda a sua carreira profissional.

Tudo isso está orientado a ativar o desenvolvimento de competências tais como conhecer, investigar, produzir, colaborar, compartilhar, conectar e gerir. Isso legitima e se conecta com o modelo teórico do IED, baseado nos três pilares pensar, construir e comunicar, ao mesmo tempo em que favorece um processo de pesquisa. O resultado é um conhecimento novo, transformado e projetado.  

As consequências são muitas, destacando-se entre elas a maior personalização dos conteúdos e ritmos de aprendizagem, um fator essencial sobretudo no início do percurso didático - especialmente para alunos que ainda não conhecem bem o idioma local ou que têm algum déficit de aprendizagem - mas não param por aí. O conceito de personalização que propusemos se baseia em experiências colaborativas, internacionais, conceituais, produtivas, profissionais, multiculturais, práticas, que darão substância a uma realidade educativa onde o aluno possa se mover em direção a formatos e métodos de aprendizagem distintos. Podemos configurar diferentes realidades acadêmicas, baseadas na livre configuração e também orientadas à diversidade de experiências, flexibilizando a experiência de aprender.   

Graças a estas características se anuncia um futuro cheio de possibilidades para este tipo de formação, que pode oferecer serviços a um número incontável de pessoas, como por exemplo àquelas que demandam uma formação continuada e cujas condições de vida não são compatíveis com um modelo presencial, ou também a pessoas que vivem longe dos grandes centros. Isso afeta não apenas os estudantes em potencial, mas também os profissionais docentes, já que se pode contar com profissionais que vivem em diferentes lugares do mundo, ampliando o corpo docente para englobar os melhores profissionais possíveis...

Alguém ainda se pergunta como é possível aprender a qualquer momento, em qualquer lugar do mundo?

Autor: Carlos Brenes